viva a cueca de papai 2- A missão
viva a cueca de papai 2- A missão

Wellington Fernades Ribeirão Preto/SP Economia- FEARP/USP (6 semestres) 300 (bolsa da faculdade), 200 (pai) poemas e contos 1 publicação impressa. Sem experiencia. Informatica infermediaria. Sem linguas.



Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Após algum tempo, e muitas frustações depois, esboço uma volta... mas sem pódio de chegada ou beijo de nomorada... sou mais um cara...

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 10:56 AM
Forum daqui!:



Terça-feira, Dezembro 20, 2005

Não vou lutar contra o que eu sinto
Vou me entregar como um soldado cansado e faminto
Não vou lutar contra o que eu sinto
Porque a verdade explode cada vez que eu minto
não posso mais viver em conflito

Não vou negar o que é tão claro
vou me entregar em tudo o que faço,em tudo que eu falo
Não vou negar o que é tão claro
Porque a verdade explode mesmo quando eu me calo
Não posso mais viver sem estar ao seu lado

Não vou lutar contra o que eu sinto

A verdade explode cada vez que eu minto
Não posso mais viver em conflito

Não vou lutar contra o que eu sinto
Não vou lutar contra o que eu sinto


(Paulo Miklos e Sérgio Britto)

uma pessoa legal

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 9:38 PM
Forum daqui!:



Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Poema sobre a questão da futilidade nas vidas urbanas e feudais

Isso tudo aqui
Muito doido
doido
Mundos novos
Montanhas novas
Céus novos
Nuvens velhas
Tendo tudo novo as nuvens são velhas
Coleciono nuvens
Justamente nuvens,
Que a todos passam tão de pressa
Mas as montanhas e os céus são novos
E também, de certa forma, eu.

II
"Homem algum passa duas vezes sobre o mesmo rio
Pois quando ele volta as águas já são outras
E ele também, é outro.
E o mundo todo já é outro."


III
Muito doido
Mundo novo
Só as lembranças são velhas
Talvez a futilidade seja a elocução
A futilidade,
Mal dita futilidade
Céus novos
Com céus novos!
A futilidade não observa os céus novos...
Nem se importa com as nuvens estáticas
A futilidade apenas faz um piquenique no jardim.
E ri disso, mas ri por rir
Ri de você e de mim
Mas sem maldade, ri por rir.



CIGARRAS E VIUVAS-NEGRA.
Seremos mesmo "apenas" seres biológicos que temos somente a lógica da vida orgânica para seguir. Seremos a pura matéria que tentando se perpetuar ("nossos" genes) nos desenvolve até a nossa melhor forma física e mental, para então nos reproduzirmos (passar pra frenter nossos gametas), e refazer o milagre da criação. E depois, definhar em corpo, procurar o motivo para estarmos em pé até o dia de nos ajuelharmos no chão de barro, não o Inicial, e gritarmos a Deus (um imaginário mentor de nosso martírio) : "Por que?". E a carne que velha, inútil, cai inerte no solo para servir de banquete a outros animais em busca de sobreviverem até se reproduzirem, se imortalizarem.
Preciso de ajuda, alguma. Não tenho fé, não tenho conforto nesse mundo, me sinto sempre deitado no chão, nunca no colchão. (Algumas pessoas, na hora de dormir, se deitam acreditando piamente que ali há colchão, se confortam e descansam em paz. Então, o colchão existe. Eu procuro o colchão, quero ver).
Espero que isso seja verdadeiro, que pela manhã não escondam a dor na coluna, a dor que choro aqui.
Acho que devo conhecer a Cultura Racinal.
Ou então trepar sem camisinha e me matar depois.
Não sei... escolher entre o vinho tinto e o suave, o leite desnatado ou integral, a vida ou a morte, o shanpoo e o condicionador... Quem nunca se enganou comprando qualquer um desses produtos?
Bom, nesses links então tentativas de explicar a vida (um além do convencinal).
Particularmente, gostei da visão cientifica, sem desmerecer as demais...

Canto para minha morte
Cientifico- Glandula Pineal
Vivendo de luz
Chackras



Pra descontrair um pouco....
Lucy In The Sky With Diamonds
The Beatles -

PICTURE YOURSELF IN A BOAT ON A RIVER
WITH TANGERINE TREES AND MARMALADE SKIES
SOMEBODY CALLS YOU, YOU ANSWER QUITE SLOWLY
A GIRL WITH KALEIDOSCOPE EYES

CELLOPHANE FLOWERS OF YELLOW AND GREEN
TOWERING OVER YOUR HEAD
LOOK FOR THE GIRL WITH THE SUN IN HER EYES
AND SHE´S GONE

LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS
LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS
LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS

FOLLOW HER DOWN TO A BRIDGE BY A FOUNTAIN
WHERE ROCKING HORSE PEOPLE EAT MARSHMALLOW PIES
EVERYONE SMILES AS YOU DRIFT PAST THE FLOWERS
THAT GROW SO INCREDIBLY HIGH

NEWSPAPER TAXIS APPEAR ON THE SHORE
WAITING TO TAKE YOU AWAY
CLIMB IN THE BACK WITH YOUR HEAD IN THE CLOUDS
AND YOU´RE GONE

LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS
LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS
LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS

PICTURE YOURSELF ON A TRAIN IN A STATION
WITH PLASTICINE PORTERS WITH LOOKING GLASS TIES
SUDDENLY SOMEONE IS THERE AT THE TURNSTILE
THE GIRL WITH KALEIDOSCOPE EYES

LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS...
tradução

Essa foi uma bela (e louca) canção beatleniana, e a seguir, uma releitura da mesma, por nosso querido bicho-grilo Rail Seixas. Luny in the Sky with Diamonds, LSD? Diz John Lenon que não, mas essas más linguas...
Para quem puder escutar essa musica, reparar que a melodia é muito semelhante à dos Beatles. Dá pra cantar a do Raul sabendo a melodia da original. Muito massa, Raul deveria ter feito algo do Yellow Submarine, se bem que a versão canária Pexuxa é bem por ai...



Você Ainda Pode Sonhar
Raul Seixas

Pense num dia com gosto de infância
Sem muita importância procure lembrar
Você por certo vai sentir saudades
Fechando os olhos verá
Doces meninas dançando ao luar
Outras canções de amor
Mil violinos e um cheiro de flores no ar


Você ainda pode sonhar
Você ainda pode sonhar
Você ainda pode sonhar


Feche seus olhos bem profundamente
Não queira acordar procure dormir
Faça uma força você não está velho demais
Prá voltar a sorrir
Passe voando por cima do mar
Para a ilha rever
Vá saltitando sorrindo a todos que vê


Você ainda pode sonhar
Você ainda pode sonhar
Você ainda pode sonhar

alguns sons do Raul

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 6:04 PM
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Segunda-feira, Outubro 17, 2005

E a vida segue... Mas, quem será o Mestre?

UM HOMEM
Quando a noite caiu, ele cai também. Quando a sol desce seu instinto humano sobe. Recolhe-se em seu canto e espera a primeira femia passar. Sempre assim... Maldição?... Masculinidade.
A filosofia de alguns chama masculinidade de maldição, e quantas femias não fazem o mesmo? Alimento para as ventas. É sexo? Sede de sangue? Filosofia pregada em deserto.
Liberdade feminina, deleite masculino. Guerra dos sexos, fúria selvagem em campo, paz dos sexos pela manhã. Amanhã se vê. Hoje é caça.
Isso que segue é A sociedade do Mercado.
Era olhos de basset na noite fria da capital. Mãos lisas no bolso seco de capital. Coração em busca do pecado capital. O sofrimento está para o gozo assim como o movimento está para o repouso. Aflição, conta noite por noite, quantas ficou sem pensar em amor, em amar, tenta ter os breves prazeres e sair sem perguntar nomes. Agita as mãos tentado espantar o frio, que corre mais não passa. Olha impaciente, está no começo de uma gripe, procura, o nariz escorre, o lenço é a manga da blusa. Continua a passos lentos, como sempre andou, sempre (só) andou para descontrair.
Na esquina aparece um sobretudo. Fuma. É homem. Abaixa a cabeça.
O céu não tem lua. Sabe que existe estrelas, mas não aparece, talvez não se dêem conta de sua importância. Pessoas também lha fazem isso. Mas se... Rompe a linha.
Está parada. O coração sai do stand-by, frenético. Soa. Aperta o passo.
Para perto, olha para baixo.
-Quanto é?
-Você tem lugar?
-Moro a duas quadras
-25. Tem camisinha?
-Não
-Então é 27 caralhudos
-vamos?
-Pague adiantado
Paga.
Enquanto ela entra na porta pra levar o dinheiro, dá uma olhada ao redor, impossível alguém lhe ver ali, se encolhe na blusa, está deverás frio.
-Vamos?
Segue andando, olhando sempre para baixo, imagina quem seria aquela,. Teria vida? Nome? Filhas? Família? Safadeza? Cafetão? Frio com aquela mini saia? Ela acende o cigarro e tem um ataque de tosse que dura alguns segundos.

...

-Quanto tempo costuma demorar isso com você
-Uns 15... 20 min quando rola boquete sem camisinha ou anal, mas ai é 5 mais caro...
-Tudo bem.
Os dois nus se deitam na cama. Ele se ecolhe e deita em seu colo e chora, silencioso, intercalado de soluço e fungadas de nariz. Frases indecifráveis entre baba e pelos pulbianos.

Super Homem
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ESPERANÇA
Tenho tanto de esperança
Quanto àquelas pessoas na sala de jantar
Que se amam e se tiram a paz
Almoçando carne de inimigos naturais
Mas tão crianças...
Com uma linda lua escondida.

Minha esperança é eles vêem a lua.


"...ah!se os homens renunciassem inteiramente à sabedoria e passassem
comigo o tempo inteiro de sua vida, eles ignorariam os dissabores da
triste velhice, e os encantos de uma juventude contínua espalhariam a todo
instante sobre eles a alegria e a felicidade."
ass.: a Loucura
Erasmo (Elogio da Loucura)
e-book

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 3:03 PM
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Quinta-feira, Setembro 29, 2005


fonte:Escritório de Arte
Pintor. Agostinho Batista de Freitas (Campinas SP 1927 - s.l. 1997) atua como eletricista quando, por volta de 1950, inicia-se na pintura como artista autodidata. Vende seus trabalhos na Praça do Correio, em São Paulo, onde é descoberto por Pietro Maria Bardi, que encomenda-lhe um registro da vista panorâmica da cidade, observada do alto do edifício do Banco do Estado de São Paulo, e que, em 1952, organiza sua primeira exposição individual, no Museu de Arte de São Paulo. Aspectos da paisagem urbana paulistana são temas recorrentes na sua produção. Participa das exposições Bienal de Veneza, Itália, 1966; 19 Brazilian Primitives, mostra itinerante, Estados Unidos, 1975; Arte no Brasil: uma história de cinco séculos, no Masp, São Paulo, 1979; O Mundo de Mário Schenberg, na Casa das Rosas, São Paulo, 1996. Após sua morte, suas obras figuram na Iconografia Paulistana em Coleções Particulares, no Museu da Casa Brasileira, São Paulo, 1999; na Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Arte Popular, na Fundação Bienal, São Paulo, 2000; entre outras exposições
Fonte:itau cultural


A culpa é de Deus?
Se Ele pudesse canalizar sua loucura
Ah, mas nós sofreriamos menos
E nos desse dons e corpos, geografia...
(como raramente coincidem)
Para aperfeissoar
E não sofrer
Com uma ferramenta divina,
Torturas.

Nigrib Muhammed tem idéias estranhas,
Vê um horizonte curvilíneo, um planeta, redondo...
Mas... 7 anos, anda 15 km com "água" na cabeça.
Não sabe pegar num lápis que não existe.

Ele pensa. E ainda culpa.

É de nossa indole culpar ao inexistente.


A Verdade
Cruzeiro Seixas
(Interpretação livre de Antônio Abujamra)

Como posso saber se o que vejo desta janela é de fato a paisagem que vejo?... Há muito, finjo acreditar em coisas que o homem teima em trocar pela fragilidade do vidro.
Deus existe?...
Deus não existe?...
Ambas as coisas são verdade ao mesmo tempo. Pergunto-me e pergunto-lhe se a verdade existe mais que um milésimo de segundo.
Nada é eterno.
A eternidade passa depressa como a ciência.

PENSAMENTOS COMUNS. COTIDIANAMENTE ANGUSTIADO.
O que difere o homem dos outros animais, é que sabemos que nada sabemos, e mesmo que soubéssemos de alguma coisa, de nada adiantaria, é tudo como a Pedra do Gênesis.
Ai está o pensamento que pus como ponto de partida para uma reflexão de minha vida, numa regressão a outros tempos nem tão distantes assim...
Bom, antes escrevia para não ser lido. Passava madrugadas escrevendo poemas que estão até hoje na gaveta do esquecimento (salvo alguns que postei no blog e o que publiquei aqui na universidade). Engano meu, queria sim ser lido, ouvido, aplaudido e banido pelo tempo e pelos homens tomando café. Queria ter essa profissão, poeta, glamour, filosofia...
"-Vagabundo"
Já tinha um desalento de tento ler Voltaire, um oposto de "tudo vale a pena se alma não é pequena". Tentei me curar dessa desesperança. Mas sempre que dava por mim, estava com a Florbela em mãos, ou o Vinicius e o Manuel se atracavam no criado-mudo.
Achava que tudo, de um jeito ou de outro, acabaria tal como começou. É cômodo pensar assim. Deus do Acaso ( um paradoxo).
Mudei de cidade. Conheci o outro lado do espelho. Sim, clichês. Alguma mistura de "Alice no páis das maravilhas" com "Kids". Algo bem "amanhã se vê" e "foi bom te conhecer". "Nada de novo no fonte". Um mundo de frases e pessoas feitas. Filhos dos filhos dos anos 60. Aff... se eu soubesse.
Ai entrou de vez a filosofia da cigarra.
Uma carro? Viver bem? Viajar?
Não sei porque, mas peguei um asco a ganhar dinheiro, ou nunca tive ímpeto para tal... ( Claro que meu pai me manda uma grana por mês, e a bolsa que tenho aqui na faculdade... Não tenho um estilo de vida alto. tenho o que beber e comer e usar, ando à pé...). Acho que é porque convivo com muita gente que tem isso por ideal, não valendo em muito a forma. E que deixam muita coisa de lado por conta disso. Mudar de cidade sem querer, passar a perna em concorrentes no trabalho... Bom, talvez seja por eu ter como imensurável muitas coisas. Admito que o poder do dinheiro atrai muita coisa (dinheiro compra até amor verdadeiro, Nelson Rodrigues)... mas não sei... ( o dinheiro é o eterno prato de lentilhas da humanidade).
Ai está o meu desanimo atual. Me desanimo por que sai de casa e vejo que a rua está vazia. Talvez esteja até chovendo. Como dentro de casa. Nesse caminho só aprendi como não ficar pensando no que poderia ser feito ou achado, caso minha teoria estivesse errada. Caso a ação, como na física, tivesse reação.
Buda disse: "uma casa estava pegando fogo. Havia gente lá dentro. Alguém gritou-me pela janela: como está o tempo aí fora? chovendo? ventando?
Enfim, chego ao inicio, sem nada mais dizer.
"O que difere o homem dos outros animais, é que sabemos que nada sabemos, e mesmo que soubéssemos de alguma coisa, de nada adiantaria, é tudo como a Pedra do Gênesis."

net-bibliografia
Sonhos e clichês - Chega de miséria
Provocações - programa 199
Textos do post


A Pedra Do Gênesis
by Raul Seixas
No fundo do oceano existe um baú
Que guarda o segredo almejado
Desde a aurora dos tempo
Por gênios, sábios, alquimistas e conquistadores
Eu conheci esse baú num estranho ritual reservado a poucos
Hoje eu posso enfim revelar que essa busca de séculos
Foi em vão

A pedra do gênesis
A pedra do gênesis
Está bem aqui agora
A pedra do gênesis
Você pode tocar


É a escada do seu velho sonho
Que vai dar sempre onde começou
É a chave do maior poder
Que não vale um chiclete que alguém mascou, mascou

refrão

É a pedra de cada dia
Que está no chão de qualquer lugar
Aonde o mendigo pisa
E o Santo cospe quando passar
Nessa pedra

refrão

É Deus traçando linhas tortas
É mais um que nasce e comeca a morrer
Jogando o jogo da velha
O jogo da guerra sem poder vencer, sem vencer

refrão(2x)

Vagalume


Esperança
Cruzeiro Seixas

(Interpretação livre de Antônio Abujamra)

Todo o meu esforço canalizo para a vida.
Não para o equilíbrio, não para as certezas. Caminho suportando nas costas todo o peso da desesperança, pois que a esperança, é ridículo, dramático, que a humanidade ainda precise de tê-la.
Esperança em quê? Em remédios que curem?... Em poemas que se dão de mão em mão?
E as cartas sem resposta?
E os becos sem saída?
E a nova hipocrisia?
E o deus-dinheiro que nos espreita a cada esquina?... e a África?
E a América Latina?...
E todas essas universidades e tantos analfabetos?...
Toda gente sabe a extensão da verdade: surpreendendo a paisagem esfomeada, o gatilho já não precisa do dedo de ninguém.

Sobre o(a) autor(a):Cruzeiro Seixas, pintor e poeta, nome essencial vinculado ao Surrealismo em Portugal. Em parte por ligação direta com as artes plásticas tem sido um poeta, infelizmente, pouco percebido

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 5:50 PM
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Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Musica Barata (Promoção Mercado Livre)

"Chorei, chorei
Até ficar com dó de mim"
-Chico Buarque, Bastidores

"Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer"
Jorge Ben (Jor), Zumbi

"Auto-exilio nada mais é que ter seu coração na solidão"
-Legião Urbana, Conxão Amazonica

"Tem da branca e da preta
só não pode é misturar"
-Bezerra da Silva, Overdose de cocada

"into this house we're born,
into this world we're thrown
like a dog without a bone,
an actor out alone,"
- The Dorrs, Riders on the storm

"Viver é ser eliz e nada mais"
- Raul Seixas

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Nascimento
A morte devagar. Cada gota de sangue que vaza do corpo dá espaço à morte. Cada ação , o mínimo movimento, tem efeito contrario, com diante de um espelho, como diante da vida. Caótico. Católico. Seu mundo teórico é belo, achou, enfim, o belo. Sua suíte, Satre aberto numa escrivaninha, mas a filha da dona da pensão não vai quere-lo sujo de vida. A pressão abaixa, deve ser a maconha. Bate o pó, minuciosamente, pedrinha por pedrinha, tem todo tempo do mundo. Canudo do Mc¿Donald. Levanta, respira à plenos pulmões o ar sujo de uma suíte há três dias fechada. Gira, pinta as paredes com bolinha de sangue, dá o toque que faltava na imagem de Cristo pendurada na parede. Cai, ri e do chão vê que o mundo realmente gira. Fecha os olhas e corre por um campo sem arvores, sob um céu sem estrelas, mas com duas luas, uma cheia e outra minguante. Volta. Tenta levantar, fica pela metade, de quatro, solta a cabeça, o nariz sangra, os pulsos também. Vai ao banheiro e estanca o sangramento nasal com papel higiênico dupla-face. Encosta-se à porta e fica observando o quarto, cada vez mais mal-iluminado. Vai a Cristo, tira a imagem da moldura, coloca na escrivaninha e deixa seus pulsos gotejarem. Com o durex do armário e cola a imagem do Senhor no teto. Estonteia. Cai da escrivaninha e bate a cabeça no chão. Vê Cristo lhe dando a mão, curando com uma caricia sua cabeça e seus pulsos. Deixa seu corpo inanimado, de olhos arregalados, corpo roxo.


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Um dia cai de uma arvore.
Um dia fiquei estrategicamente posicionado no parque pra ver a calcinha das meninas.
Um dia deu um soco no nariz do meu primo.
Um dia esfolei o dedão do pé jogando golzinho na rua.
Um dia fquei de castigo por que não fui daescola direto pa casa.
Um dia me apaixonei e não chorei.
Um dia chorei sem motivo, sozinho.
Um dia meu pai me chamou de bobo.
Um dia derrubei gel no banheiro e não limpei. Minha mãe caiu e quase quebrou o braço.
Um dia fiz um amigo e o chamei de Tom.
Um dia... um dia... são tantos e um influi tando no próximo, isso é o caos.
Um dia fiz xixi na cama sonhando que estava no banheiro.

Um dia quis um bongo e tinha medo do que vinha (supostamente) do além.

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 2:23 PM
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Domingo, Julho 24, 2005

Ah, Um Soneto
Fernando Pessoa
Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...
No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaçs.
Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...




Ah, um conto...
só pra não perder o costume...


Ela para na porta do bar.
- O que há de fraco pra uma menina tomar?
O balconista, que perto da rodoviária de Campinas nunca havia visto uma puta de luxo, ficou até que espantado... se visse estupro ou um travesti esfaqueando quem não lhe tenha pago ou lhe atirado uma pedra... quando se acha ter visto de tudo nessa vida, vem uma florinha dessas em meio ao lixo... e que cobrada pra ser cheirada!
- Tenho vinho Santomé...
- Quero café com uísque, tem?
- Tem Gold Eight...
- E uísque?
- Tenho conhaque...
- Então quero um choconhaque!
Agora falava feliz... antes era apenas fria, cotidiana. Nem estranhava as putas gordas sentadas nos colos de homens magros de tanta farinha. Até pensou em jogar sinuca também, só ficou com medo de perder e ficar chateada. Ela odeia perder.
- Tirando vinho, o resto que tenho aqui é pra homem!
- Vamos fazer choconhaque... é fácil...para se fazer um bom choconhaque, você tem de pegar leite com achocolatado, ferver, daí é só colocar o conhaque na hora de servir! Bem quentinho...
A esse momento a radio toca Jorge Bem e ela se dá o direito de dançar, rebolar, mesmo que discretamente...

...PASSANDO PELA MINHA JANELA TODO DIA TODA HORA
SABENDO QUE EU FICO A OLHAR
COM MALICIA
A SUA PELE PRETA
COM MALICIA
O SEU SORRISO BRANCO
COM MALICIA
SEUS OLHOS AZUIS
COM MALICIA...*

- Posso ir até ai fazer?
- Não.
- Vai querer a porra do café com o uísque vagabundo que tenho ou não?
- Vou. Tem lugar pra sentar?
- Pretim, pegar um banquinho pra guria ai sentar e tomar a bebida dela...
Ptrtin faz o serviço, tropeçando em seus próprios desejos, olhando para as nedagas dela, perfeita em formas sobre a calça colada.
O dono do bar, o mais branco (e quese que único, exceto alguns piões encardidos de sol) pega o café contrariado com o pedido excêntrico, vai até a prateleira e saca a garrafa do tal uísque e coloca uma dose no copo e café no outro.
- Agora você mistura do jeito que você gosta....
A radio está transmtindo programação de samba-rock. Ela, enquanto toma seu drink refinado, reparava nas musicas curiosas, uma de um tal 16 toneladas e na Santa mulher Tereza, que foi invocada incansavelmente. Desejou até se chamar Tereza... mas pena que comece com T, ficaria em ultima nos anúncios de trabalho...
"Valente morre mais cedo... antecipa o seu próprio fim..." Bis 7x com uma voz de rapper falando "riginais do samba" e falando o nome dos integrantes do grupo...mandando um "salve pros manos..."
Acha a periferia bem curiosa, ainda mais quando começa a tocar um que o cara canta em inglês.** Sambare... isso é bom samba, deveria parar de ir ao no pé do morro buscar pó e subir pra sambar um pouco... aquela velha malandragem que o meu pai ouve fala tão bem do morro...
Pede outro drink desse. Olha o relógio e vira o resto que estava no copo.
- A rodoviária fica a quantas quadras daqui?
- Umas duas... seguido essa rua (aponta a rua e deixa o pano de prato cair no chão, mas logo pega)
- Então coloca isso tudo em uma garrafinha só que vou tomando no caminho.
Enquanto ela levanta, deixa a bolsa cair no chão, Pretin passava perto e quis se agachar pra pegar, ela não permitiu. Agachou-se e sua vagina fez luz nos olhos do Pretin e do balconista. Pagou dando um sorrisinho safado de Maria Bonita. Saia ao som de "do lado direito da rua Direita..."***. Na porta do boteco, ainda olhou os homens mal-acabados jogando sinuca e lamentou não ter jogado, deu um tchau pra dono, que olhava seus seios e deu uma piscadela de gorjeta por Pretin.
Pretin saiu na calçada, a seguiu com os desejos, enquanto ela pairava na rua, com sua bunda parecendo um sino anunciando missa. E o eco soava na cabeça de Pretin, que transpirava.
Não teve jeito, quando ela se perdeu na penumbra de uma noite até que quente, Pretin foi arrebatado por uma forte dor de barriga e uma ida ao banheiro ira imprescindível.
Foi e nem escutou um grito que saiu da noite e se perdeu pelas construções abandonadas ao redor.

* Jorge Ben - Menina mulher da pela preta
** Boca nervosa -13 samba rock- Sambare
***Originais do samba- Rua direita



Ah, um romance...




Sobre mim.

Bom, eu estou bem.
Monitorando aqui a sala da facul. A casa está sendo um caso especial, mas está sendo muito massa morara lá com os camaradas.
Terça tomei uma geral nervoso da policia chagando em casa, eles falaram que havia denuncia de roubo na região e me acharam surpeitos. A 4 mil anos atras Platão já descorria sobre a importancia de se dar armas a quem fosse valente e dócil, ( valante frente aos inimigos e dócil com seus protegidos), como um cão.
Deixe que os deuses de asfalto olhem por nós.
Estou me alimentando bem e as festas estão menos, tenho de ver quanto vou gastar com essa mudança antes de sair assim gastando... só não posto meu projeto de orçamento aqui para não ser chato demasiadamente.
Bom, é isso, há sécuols não recebo e-mail que preste.
E nem carta, senhora Iris, postarei meu endereço novo assim que decorar o numero da casa.
Abraços farternais.

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 4:14 AM
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Terça-feira, Julho 05, 2005

UMA OUTRA BOCA
Onde beijará aquela outra boca
Que se fundira à minha
E calará o grito
Que me dói
os tímpanos...
Deixando o eterno silêncio que se seguirá
dizer tudo.


A culpa é toda do mundo, é de todo mundo.


Comentários ao Anticristo de Friedrich Nietzsche

Alexandre P. Vieira
http://www.filosofiavirtual.cjb.net/

Nietzsche hoje se desesperaria diante de um mundo decadente e esfacelado, onde os homens se curvam a uma ideologia crescentemente individualista. Creio mesmo que hoje Nietzsche se sentiria ainda mais acuado pois não há mais inimigos que se revelem para o combate. A igreja e o cristianismo já não se prestam mais ao papel de grande inimigo. Não há mais como encontrar ou atribuir a uma única entidade a responsabilidade total pelas mazelas do mundo. O mal se sofisticou. Ele está mais dissimulado, espalhado por lugares antes impensados.

Welington Fernandes
Essa falta de inimigo comum está matando todo mundo... reclamávamos de ditadores, odiávamos a policia... mas e agora?
E esse negócio da mal? No livro O Anticristo, que por sinal estou lendo agora, Nietzsche o classifica como tudo aquilo que é fraco, ele me parece muito darwiniano, condenando no cristianismo o sentimento de piedade, e o classificando como mal!!! Tudo que é fraco tem de ser combatido, exterminado...
Aiai, quantos conceitos... quantos gênios de fumaça que não conseguem se entender... eu desisto desse mundo... é apenas incompreensível, horas! Caótico, apenas.


MINHA VIDA EM TÓPICOS
- Arrumando uma casa pra morar (em Ribeirão)
- Arrumando um emprego
- Arrumando uma vocação ( se é que isso existe mesmo). Como diria uma personagem do animado Futurama: Voce tem de fazer o que tiver de fazer!!!
- Em sampa, vendo filmes e revendo amigos.
- Tentando voltar a escrever, mas está dificil...


Não Quero Mais Andar na Contra-mão
Raul Seixas

Hoje uma amiga da Colômbia voltou
Riu de mim porque eu não entendi
Do que ela sacou aquele fumo rolou
Dizendo que tão bom eu nunca vi
Eu disse não não não não
Eu já parei de fumar
Cansei de acordar pelo chão
Muito obrigado eu já estou calejado
Não quero mais andar na contra-mão

Da Bolívia uma outra amiga chegou
Riu de mim porque eu não entendi
Quis me empurrar um saco daquele pó
Dizendo que tão puro eu nunca vi...
Eu disse não não não não
Eu já parei de...
Cansei de acordar pelo chão
Muito obrigado eu já estou calejado
Não quero mais andar na contra-mão

Titia que morava na Argentina voltou
Riu de mim porque eu não entendi
Me trouxe uma caixa de perfume ê ê
Daquele que não tem mais por aqui
Eu disse não não não não
Não brinco mais carnaval
Cansei de desmaiar no salão
Muito obrigado eu já andei perfumado


PS
Andei lendo algumas pesquisas por ai e queria saber a opinião de voces...]
1) Voce se considera feliz hoje? (de 1 a 10, 1 é muito infeliz, 10 é muito feliz)
2) E a 5 anos atras, como era sua felicidade?
3) E o resto da população do Brasil, como você acha que está a felicidade deles (nossa)?

No proximo post esclarecerei...( e darei minhas respostas)

Bjus e abraços!

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 7:54 PM
Forum daqui!:



Quarta-feira, Junho 15, 2005

E aê galera??
Será que ainda existe alguém que entre nesse blog? Acho que sim! E é por isso que estou aqui dando uma força pro nosso querido Cirilo. Ele está nesse momento em Acapulco, desfilando sua coleção de sungas e enchendo a cara de tequila. Ai ai ai...
Eu sei que como ele não tem igual, mesmo assim vou postar aqui uma crônica, para desopilar e tirar a cara do Chico Science daí. O cara quer dizer tudo, mas olhar pra cara dele na mesma posição a mais de três meses não é mole.
Vamos mudar um pouco..


e-Crônica #52 ¿ Encontros e desencontros
Explicação onomatopéica: Bip! É o ruído que a secretária eletrônica faz para indicar que a pessoa pode começar a gravar o seu recado.

Textos curtinhos para pessoas sem tempo para atender o telefone.

Bip!
Alô, é, hãnn, Bom dia Gustavo, meu nome é Letícia, você não me conhece, eu sou nova na empresa, acabei de entrar no Departamento de Marketing. E estou começando um novo projeto de marketing que vai envolver um novo site na Internet e e-mails, mas estou com algumas dúvidas. Me disseram que você poderia me ajudar. Por favor me ligue assim que for possível.
Bip!
Boa tarde Letícia, aqui é o Gustavo da Tecnologia, eu recebi o seu recado e posso te ajudar, sim. Se você puder me enviar as suas dúvidas para o meu e-mail, que é gustavo.moraes, eu responderei. Acho que assim é mais rápido, eu ando meio ocupado e vai ser difícil a gente conseguir um horário para uma reunião.
Bip!
Oi Gustavo, é a Letícia do marketing. Acho que estamos bem ocupados mesmo, não é? Eu recebi a sua resposta e foi muito útil, obrigada. Só que eu preciso te incomodar de novo, eu ainda não me ambientei na empresa e não sei mais a quem recorrer. Me disseram que existe um guia sobre comunicação que eu devia estar usando, mas ninguém sabe me dizer onde encontrá-lo. Você sabe? Será que podemos marcar uma reunião um dia desses?
Bip!
Bom dia Letícia, é o Gustavo da Tecnologia. Estou enviando o guia de comunicação corporativa para o seu e-mail. Espero que ele seja útil. Vamos marcar uma reunião, sim, só que eu estarei fora em treinamento o resto da semana. Me ligue na semana que vem. Um abraço.
Bip!
Oi Gustavo. É a Letícia. Obrigada pelo guia. Ele vai ser muito útil. Acho que a nossa reunião vai ter que esperar um pouco, na semana que vem eu estarei no Rio para uma porção de reuniões. O projeto vai indo bem, assim que puder mando uma cópia do relatório de andamento para seu e-mail.
Bip!
Letícia, é o Gustavo da Tecnologia. Li o seu relatório de andamento e achei uns dois probleminhas que você deixou escapar. Acho que ninguém te explicou como funciona o nosso ambiente, então estou mandando um mapa resumido de nossa rede de computadores para você conhecê-lo melhor. Acho que está na hora de marcarmos aquela reunião. Um abraço.
Bip!
Oi Gu, é a Lê. Puxa, obrigada pelas dicas. A gente fica brincando de gato e rato mesmo, né? Aliás, você gosta de gatos? Podemos marcar a reunião para quarta-feira? É o meu dia mais tranqüilo. Um beijo.
Bip!
Oi Lê. Tudo bem? Acho que vai demorar um pouco para conseguirmos nos encontrar. Na quarta estou fora em uma reunião com clientes. E na semana que vem estou em um congresso. Eu te ligo na volta.
Bip!
Oi Gu. Que saudade! Você nunca está perto do telefone? Brincadeira. Espero que tudo tenha ido bem na sua viagem. O meu projeto está quase no final. Sem você ainda estaria no começo. Conversei com minha gerente para fazer um agradecimento formal para seu chefe.
Bip!
Oi Lêzinha. E aquela reunião que nunca sai, hein? Acho que agora você não precisa mais, não é mesmo? Fico feliz que seu projeto esteja indo bem. Muito sucesso para você.
Bip!
Oi Gu. Ainda não está por aí, né? Tudo bem, estamos sempre ocupados, deve ser a globalização... Eu liguei para te convidar pessoalmente para festa de lançamento do novo site. Como você não está por aí vou pedir para o boy te entregar o convite. Um beijo. Me ligue quando puder.
Bip!
Oi Lêzinha. Eu realmente gostaria de ter podido ir à festa, mas deu um problema aqui no processamento e eu tive que ficar por aqui até as três da manhã. Uma pena. Gostaria de ter podido te encontrar, depois de tantos e-mails e recados. Um beijão.
Bip!
Oi Gu, sou eu. Más notícias. Acabo de ser demitida. Parece que eles precisam de alguém só para implantar o projeto e um abraço. Fazer o quê? Estou triste, mas estou feliz também por que finalmente posso confessar uma coisa: amo você. Amo você, desde o primeiro recado quando ouvi a sua voz dizendo que não poderia atender agora. Sentirei sua falta. Beijos.
Bip!
Você acessou uma caixa postal inexistente. Disque 0 para maiores informações ou 9 para falar com a telefonista.
Renato M Lellis

O dia dos namorados já passou, o dia da poesia também. Mas nunca é demais, né?!!

VERSOS CLÁSSICOS

Fanatismo
Florbella

Minh¿alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Versos Clássicos (Mas nem tanto)

"Eu não sei fazer poesia / mas que se foda..."
Em "Não Uso Sapato", o Charlie Brawn (ECA!!) Jr. grita aos quatro ventos que não está nem aí para nada.
Grande novidade! Que eles não escrevem sonetos, já sabemos - ainda mais com essa boca suja.
Época

E ainda vão fazer o filme sobre a vida da banda e do tão.. (não sei nem o q) vocalista.
NINGUÉM MERECE!!


E só pra continuar homenageando o movimento, vamos encerra com ele..



Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 12:26 PM
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Terça-feira, Abril 19, 2005



Uma homenagem ao grande Mangue-man e sua percussão perefeita.


Raul Seixas - Triste Mundo

Só, sem ter ninguém
Vivo a sofrer
Me lamentando, também procurando
Toda verdade esquecer

Feliz é aquele que o mundo não viu
E a maldade sentiu

Olho para o mundo
Fico a imaginar
Toda incerteza que a vida nos dá
Quando se tem que amar

Feliz é aquele que o mundo não viu
A a maldade sentiu

Mas quando se quer
Sempre se encontra um alguém
Que nos faz feliz
Procurando ser feliz também

Feliz é aquele que o mundo não viu
E a maldade sentiu



Bom, devido a minha falta de vontade em arrastar isso aqui, esse blog se auto-destruirá em uma semana.
Minha intenção era mandar tudo às favas desde já, mas em consideração a quem tem consideração por mim, e por isso visita essa espelunca, ainda postarei um poema que escrevi num desses dias qualquer em que a insonia me fritava em minha própria cama.
Ontem tive um sonho atipico. Sonhei que tinha um cara com uma Snaiper ( Arma com mira telescópica, famosa no Counter Strike) atras de mim. Acho que o motivo era eu e meus amigos termos causado a morte de um irmão dele ou coisa assim. Eu estava em minha casa, mas sem ninguém lá, só a galera tentando fugir dos tiros da cara. Embora ele tenha atingido alguns dos meus, eu sai ileso e acordei suado, já de manhã. Do mais, não há mais.

Meia vida
O relógio me despertou
Normalmente
De um sonho lúcido
Para uma realidade
Embriagada
Uma nova vida
Um amor que acorda
E me borda
E dá corda
No brinquedo que sou.
O ponteiro chegou
Na casa do amor.

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 3:28 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

Bom pessoal, ja estou em Ribeiräo, dentro em breve atulaizarei o blog. Mas por horo, fiquem com o GIL que vcs ganham mais...



Gilberto Gil - Eu só Quero um Xodó



Que falta eu sinto de um bem
Que falta me faz um xodó
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só
Eu só quero um amor
Que acabe o meu sofrer
Um xodó pra mim
Do meu jeito assim
Que alegre o meu viver


e iamginem escutar esse som com um Bongozinho?

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 11:57 AM
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Segunda-feira, Janeiro 24, 2005

FECHADO PARA ALMOÇO
VOLTO LOGO!

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 8:06 PM
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Terça-feira, Janeiro 11, 2005




MEU MUNDO EM DUAS PARTES

Olás, como vão vocês?
-Nós vamos bem, obrigados.
Então vamos começar mais um poste, o primeiro de 2005, mas igual aos de 2004. No fim, é só o calendário que muda...
- O sr realmente acha que é só o calendário?
Bom, talvez esteja mentindo pra mim mesmo. É claro que sempre há uma esperança nova a cada dia primeiro, mas é só isso, também estarei mentindo que já fiz algo desse dia que mudasse a trajetória da minha vida ou coisa assim. É um amanhecer especial, mas se todos pensássemos que a cada amanhecer, como em cada ano novo, dá tempo, é tempo, de se recomeçar, faríamos muito mais coisas boas.
- Mas o Tsunami viesse antes do Dia de Finados ou no Carnaval, você acha que teria tantas repercussão e tantas doações? O Dia de Ano não influenciou em nada?
Isso pode ser. Mas haveria doações do mesmo jeito, talvez um pouco menos, mas nada de tão desproporcional. Tenho escutado por ai que a cobertura televisiva é só por ter morrido muitos turistas, mas a parcela de turistas é coisa mínima (apesar de um nunca ser coisa mínima quando se falando de mortes) no montante de mortos, então isso é um sinal de que o mundo está bem solidário mesmo.
Agora, temos que ficar atentos também ao novo presidente da palestina, que está disposto a negociar a paz na região, vamos ver como que essa negociação vai se levar, é preciso atenção para não entregar a soberania do povo palestino, coisa que o saudoso Arafat morreu lutando para preservar.


Meu refrão
Chico Buarque/1965


Quem canta comigo
Canta o meu refrão
Meu melhor amigo
É meu violão

Já chorei sentido
De desilusão
Hoje estou crescido
Já não choro não
Já brinquei de bola
Já soltei balão
Mas tive que fugir da escola
Pra aprender essa lição

Quem canta comigo
Canta o meu refrão
Meu melhor amigo
É meu violão

O refrão que eu faço
É pra você saber
Que eu não vou dar braço
Pra ninguém torcer
Deixa de feitiço
Que eu não mudo não
Pois eu sou sem compromisso
Sem relógio e sem patrão

Quem canta comigo
Canta o meu refrão
Meu melhor amigo
É meu violão

Eu nasci sem sorte
Moro num barraco
Mas meu santo é forte
E o samba é meu fraco
No meu samba eu digo
O que é de coração
Mas quem canta comigo
Canta o meu refrão

Quem canta comigo
Canta o meu refrão
Meu melhor amigo
É meu violão


1965 © by Editora Arlequim Musical Ltda. Av. Rebouças, 1700 CEP 057402-200 - São Paulo - SP
Todos os direitos reservados. Copyright Internacional Assegurado. Impresso no Brasil


O que são os amores dessa vida, para que servem a final, para quem eles servem, afinal? Serão do bem, serão do mal?
Ou apenas são?
Não sei... bom, não sei se não sei... e de qualquer jeito, não me sinto apto a dizer qualquer coisa a respeito.
Qualquer dia eu acordo sóbrio e vou pregar a paz no mundo, picho minhas camisas com frases de efeito, talvez até escreva John Lenon em uma delas e sai para morrer de fome em qualquer gueto dessas cidades do mundo.
Ai, quando eu acordar livre de mim e dessa cela em que eu mesmo me prendi, nessa teia de aranha que sei lá quem teceu, talvez Deus, e que em vão lutamos contra...mas quanto mais nos mexemos, mais rápido a aranha vem nos enrolar e nos jogar suco-gástrico, daí é o fim. O fim.
Quem sebe um não poderia ser um dos que quebraram essa teia e caíram nas graças do povo... Che, Sub-Comandante Marcos, Gandhi, Zumbi, Eu? Acho que não rs, acho que não.
Bom, alguém quer comprar meus sonhos, vendo barato, e se for em atacado sai mais em conta ainda.Tem sonho acardado e de sono também. Se vier com pesadelo não devolvemos o dinheiro, mas você pode trocar por outra mercadoria de igual ou menor valor.

BERENICE
parte tres
- Edgar Alan POe


De repente ouvi o som da porta se fechar e levantei os olhos para ver que minha prima deixara o aposento. Mas o espectro horrível dos seus dentes brancos tinham ficado no meu cérebro desordenado e não queria sair. Não havia uma depressão na superfície, uma pequena diferença no esmalte, um bico nas suas arestas, que aquele sorriso passageiro não me tivesse deixado forte impressão na memória.
Via-os agora ainda mais distintamente que os vira antes. Os dentes! os dentes! Estavam ali, acolá, por toda parte, visíveis diante de mim; compridos, estreitos e excessivamente brancos, circundados pelos lábios pálidos e horrivelmente esticados.
Então, chegou a fúria da monomania. Em vão lutei contra a sua influência estranha e irresistível. No número infinito dos objetos do mundo exterior, só os dentes me preocupavam. Desejava-os freneticamente! Todos os outros assuntos, todos os interesses diversos foram suplantados por aquela única visão. Eles, só eles estavam presentes aos olhos do meu espírito e a sua individualidade exclusiva tornou-se a essência da minha vida intelectual. Via-os a todas as horas e a todos os instantes. Estudava-lhes as características. Observava-lhes os sinais particulares. Meditava sobre a sua conformação. Refletia na alteração da sua natureza. Estremecia, atribuindo-lhes na imaginação uma faculdade de sentimento, de sensação e uma capacidade de expressão, mesmo sem o auxílio dos lábios. Dizia-se, com razão, de "mademoiselle" de Sallé, que todos os seus passos eram sentimentos. De Berenice acreditava eu intimamente que todos os dentes eram idéias. Idéias! ah! eis o pensamento absurdo, que me perdeu, Idéias ah! aí está a razão pela qual eu os invejava tão loucamente! Sentia que só a posse me podia restituir a paz e a razão.
E assim a noite desceu sobre mim! Vieram as trevas, instalaram-se e tornaram a fugir! E um dia novo apareceu! E em redor de mim amontoaram-se as sombras de uma segunda noite. E eu, sempre imóvel naquele quarto solitário, sempre sentado, sempre envolvido na minha meditação! E o fantasma dos dentes mantinha sempre a sua terrível influência, a ponto de flutuar, continuamente, aqui e lá, com a mais espantosa nitidez, ora através da luz, ora através das trevas do aposento. Enfim, no meio dos seus sonhos, retumbou espantoso grito de horror, ao qual sucedeu, depois de breve silêncio, o ruído de vozes desoladas, entrecortadas de gemidos surdos, de suspiros, de choro e de dor. Levantei-me e, abrindo uma das portas da biblioteca, encontrei na antecâmara uma criada, em lágrimas, que me disse que Berenice deixara de existir! De manhã fora atacada de epilepsia. E agora, ao cair da tarde, o túmulo esperava sua próxima moradora; todos os preparativos do enterro estavam terminados!

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 3:47 PM
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Sexta-feira, Dezembro 17, 2004


"Só se vê com o coração,
o essecial é invisível aos olhos"
Saint-Exupéry


MELANCOLIA NO QUARTO ANDAR
Fico assim
Mundo gira
Eletron gira
Fico assim
Estrela brilha
Estrela cai
Fico assim
Flor desabrocha
Predio desabbrocha
Fico assim
Pari a virgem
Mata virgem
Fico assim



Tudo antes da volta toma um ar de novo, inexplorado. Minha casa é meu reino e estou ainda em ostracismo, mas à beira do fim e do regresso. Como será que anda minha irmã, que deixei à beira de amanhecer mulher, minha sobrinha que cresce em vigoroso gozo de vida. Minha mãe meu pai que agora trás cabelos grisalhos e é aposentado. Enfim, todos os meus que há tempo não vejo.
Passei uma semana em vão por aqui. Só não foi mais em vão, pois desfrutei bem das amizades e coisas mais. Mas o macho demoníaco aqui que só sua gruta e seus pensamentos vãos. Suas reflexões que são um tapete mágico que leva a lugar algum, toda noite levam a passear em lugar algum.
Mas deixe que a vida é curta. A espera da morte é que é longo. Demasiadamente longa para um ser humano imperfeito como todos somos.


SEPARAÇÃO
Vem pro meus braços
Que quero dormir
No jardim.
Brincar de acampar
Você se lembra?
Colchão verde
Lençol negro com furinhos
De onde dá pra ver
Que o céu realmente existe
Só não sabemos se Deus mora lá.
Vamos dormir novamente.
Dormir e sonhar
Que nós ainda não morremos
Ainda não nos suicidamos
De amor e de ciúmes.
Inveja e traição.
Vamos sair desse pesadelo
Em que o céu é vinho
E as gramas são de fogo.

" A vida e a morte não seguem a ordem do tempo."


BERENICE
segunda parte

Berenice e eu éramos primos e crescemos juntos na casa da família. Mas crescemos diversamente. Eu, doentio e envolvido na minha melancolia; ela ágil, graciosa e exuberantemente ativa. Para ela, os passeios pela colina, para mim, os estudos do claustro. Eu, encerrado em mim mesmo, dedicando-me de corpo e alma à mais intensa, à mais penosa meditação; ela, divagando descuidada através da vida, sem pensar nas sombras do caminho, nem na corrida silenciosa das horas. Berenice! Berenice! Quando invoco o seu nome, mil lembranças tumultuosas ressurgem sombrias da minha memória! Ah! Vejo-a ainda risonha, diante de mim, como nos seus dias de felicidade e alegria! Oh! magnífica e fantástica beleza! Oh! sílfide dos bosques de Arnhein! Oh! Náiade das fontes! E depois... e depois tudo é mistério, terror! uma história que não quer ser contada.
Um mal, um mal funesto soprou forte, como o vento africano, sobre a sua compleição; de um momento para outro passou sobre ela o espírito da metamorfose e arrebatou-a, penetrando-lhe o espírito, os hábitos, o caráter e, do modo mais sutil e terrível, perturbando-a, metamorfoseando-a radicalmente! Ai o destruidor vinha e voltava, mas a vítima, a verdadeira Berenice, que era feito dela? Aquela não era a mesma; pelo menos eu não a reconhecia mais por Berenice.
Entre a numerosa série de males, carreados pelo ataque principal, que fizera uma transformação tão horrorosa no ser físico e moral de minha prima, é preciso mencionar, como o mais aflitivo e o mais teimoso, uma espécie de epilepsia que muitas vezes terminava em catalepsia per-feitamente semelhante à morte, da qual ela despertava quase sempre de modo brusco, repentino.
A mesmo tempo, a minha doença também aumentava rapidamente e, agravando-se os sintomas pelo uso imoderado de ópio, tomou finalmente o caráter de uma monomania totalmente nova e extraordinária. De uma hora para outra, de um minuto para outro, ganhava forças até que chegou a adquirir sobre mim um domínio singular e desconhecido. Aquela monomania (se devo servir-me deste termo) consistia numa irritabilidade mórbida das faculdades do espírito que a linguagem filosófica denomina: faculdades de atenção. É muito provável que não me compreendam; e temo realmente que me seja absolutamente impossível dar ao comum dos leitores a idéia exata da nervosa "intensidade de interesse" com a qual a minha faculdade meditativa (para evitar a linguagem técnica) se aplicava e se absorvia na contemplação dos objetos mais comuns do mundo.
Meditar infatigavelmente horas e horas perdidas sobre qualquer citação pueril escrita à margem ou texto de um livro; ficar absorto, a maior parte do dia, na contemplação de uma sombra estranha, projetando-se obliquamente ao longo do assoalho ou da tapeçaria; esquecer-me uma noite inteira a observar a luz da lâmpada ou as brasas do fogão; sonhar dias inteiros com o perfume de uma flor; repetir, sem variação, alguma palavra vulgar, até que, à força de repetida, deixar-se de representar ao espírito a menor idéia; perder inteiramente o sentimento do movimento ou da existência física, para cair numa aquietação absoluta, obstinadamente prolongada, tais eram as mais comuns e as menos perniciosas aberrações das minhas faculdades mentais; aberrações encontradas em casos similares mas que não têm, por certo, explicação ou estudo.
Para ser bem claro, devo dizer ainda que aquela atenção intensa e mórbida, assim excitada pelos objetos mais comuns, era de natureza basicamente diversa da tendência que a humanidade tem pela meditação e à qual se entregam, principalmente, a divagações ardentes. Também não era, como poderia parecer à primeira vista, um excesso ou exagero dessa tendência, mas era radicalmente diferente dela, até pela sua natureza. No primeiro caso, o pensador, o homem imaginativo, interessando-se por um objeto (geralmente não banal) perde-o de vista, pouco a pouco, através da variedade de dedução e sugestões que lhe inspira, a ponto de, quando chega ao fim de um desses sonhos, por vezes com grande prazer, ter se afastado e esquecido o "incitamentum" ou causa primária das suas reflexões. No meu caso, o ponto de partida era "invariavelmente frívolo", uma vez que revestido pela minha imaginação doentia como de suma importância. Fazia poucas ou nenhu-mas reflexões e, quando as fazia, voltavam obstinadamente ao objeto central. As meditações não eram agradáveis e, no fim do sonho, a causa primária, longe de estar esquecida, atingia um interesse sobrenatural, que era a feição dominante do meu mal. Numa palavra, a faculdade de espírito mais particularmente excitada em mim era, como já disse, a faculdade de atenção, enquanto no pensador normal a faculdade mais desenvolvida é a da meditação.
Os meus livros, naquela época, se não contribuíam positivamente para ativar o mal, participavam fortemente, pela sua natureza imaginativa e irracional, das qualidades características da própria doença. Lembro-me, entre outros, do tratado do nobre, Coelius Secundos Curio, "De amplitudine Beati de Dei"; da grande obra de Santo Agostimho, "A Cidade de Deus", e do "Carne Christi" de Tertuliano, cujo estranho pensamento: "Mortuus est Dei Filius; credibili est quia ineptum est; et spultus resurrexit; certum est quia impossibile est", absorveu totalmente toda a minha existência, durante muitas semanas de laboriosas e infrutíferas investigações.
A minha razão, assim desequilibrada por coisas insignificantes, fazia lembrar aquela rocha marítima de que fala Ptolomeu Hephestion, a qual resistia imutável a todos os ataques dos homens, e até ao furor dos ventos e das tempestades, mas que tremia só ao contato da flor chamada asfódelo. Ao pensador desatento, parecerá evidente que a alteração terrível produzida no estado moral de Berenice, pela sua doença deplorável, devesse me fornecer um grande assunto para exercer a meditação anormal, cuja natureza acabo de explicar. Pois bem! não aconteceu assim. Nos intervalos lúcidos da minha enfermidade, a desgraça de Berenice realmente me causava dor. Enternecia-me profundamente a ruína total da sua vida alegre e doce. Meditava muitas vezes e com amargura sobre as causas terríveis e misteriosas que tinham produzido tão estranha e repentina transformação. Mas essas reflexões análogas ao homem comum não funcionavam com a idiossincrasia do meu mal. Durante os acessos, a minha monomania, fiel ao seu caráter frívolo, preocupava-se apenas com as alterações menos importantes, se bem que mais evidentes, que se manifestavam no sistema físico de Berenice; na incomum alteração da sua identidade.
Nunca havia amado minha prima nos seus dias de fulgurante e incomparável beleza; mesmo porque, na estranha anomalia da minha existência, os sentimentos me vinham mais do espírito que do coração. Muitas vezes, através das nuvens do crepúsculo e ao meio-dia, pelas sombras da floresta, ou de noite na minha biblioteca, vendo-a passar diante de mim, contemplava-a, não como a Berenice viva e palpável, mas como a Berenice de um sonho, não como um ser terrestre, carnal, mas uma abstração da realidade; não como uma criatura para admirar, mas uma coisa para se analisar; não como um objeto de amor, mas como tema de meditação, indefinida e irregular. Mas agora, tremia na sua presença, empalidecia à sua aproximação. Contudo, lamentando amargamente a sua lamentável decadência, lembrei de que me amara durante um tempo e uma vez lhe falei de casamento.
Aproximava-se a época do nosso noivado quando numa tarde de inverno, calma, enevoada, inesperadamente quente, sentei-me, na biblioteca. Pensei estar só, mas erguendo os olhos vi Berenice, em pé, diante de mim.
Ou a minha imaginação exaltada, ou a influência nevoenta da atmosfera, ou o crepúsculo incerto do cômodo, ou o vestido negro que trajava, lhe emprestou aquela imagem trêmula e insegura? Não sei dizer. Ela não proferiu uma palavra e eu, naquele instante, não teria podido pronunciar uma sílaba sequer. Pelo meu corpo correu um tremor gélido. Senti-me oprimido por uma sensação de agonia incontralável e a minha alma foi subitamente invadida por uma crescente curiosidade. Mas permaneci imóvel, recostado na poltrona, sem fala e respiração, com os olhos nela. Ai! a sua magreza era espectral! Nem um vestígio do ser primitivo, nem um só dos seus contornos havia sobrevivido! Meu olhar ardente fixava-se no seu rosto.
Tinha a fronte erguida, muito pálida e estranhamente plácida. Os cabelos, outrora negros como carvão, caíam-lhe sobre as fontes encovadas, em anéis de um loiro forte, caracterizando uma imagem que discordava cruelmente com a tristeza dominante da sua fisionomia. Os olhos sem vida, nem brilho, pareciam não ter pupilas. Desviei involuntariamente a vista do seu olhar envidraça-do e observei seus lábios finos e tesos. Estes entreabriram-se num sorriso estranho e os dentes da nova Berenice surgiram lentamente à minha vista. Quisera Deus que nunca os houvesse visto, ou que, ao vê-los, tivesse morrido!




Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 11:37 AM
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Sábado, Dezembro 11, 2004

Esmaguei meu coração e pasmem. Saiu isso!
Amor próprio.
"Você fica atrás dela, ela não quer nada com você, tenha um pouco de autopiedade... tenha um pouco de amor próprio!¿.
Sim, falaram isso pra mim, como se ensina a uma criança que ela pode se machucar com uma faca ou fazer xixi se brincar com fogo. Uma mulher falando de outra. Não dei muita importância na hora. Mas hoje, semanas depois chego à conclusão de que eu não me amo. Acho que é por isso que ainda estou (sou) sozinho. Amo muito, os outros.
Após pensar nisso a noite toda, hoje acordei e pus uma calça jeans e um sapato, desse de camurça, simples, e vim para a faculdade acessar a internet. Normalmente eu viria de chinelo e bermuda. Mas hoje vim de sapato e jeans.
Às vezes só quero é ir embora para casa.
Essas auto-reflexões, por vezes, servem somente para deixar mais negro o caminho... Talvez me ajudem a evoluir para algum lugar mais auto, onde se vê as coisas com mais clareza, mas agora me causam uma dor tão funda e vazia.
Bom, esse texto ficou uma merda e não leva nada a lugar algum. Então acho que vou ficar por aqui para não escrever mais besteiras que em nada ajudaram vocês a evoluírem.
E que fique registrado: pessoas, tenham amor próprio, não se humilhem por ninguém. De pé e na serenidade, sempre!
Às vezes, não conseguimos nos libertar do caos que nos suga como um redemoinho.


Acompanhem Berenice, minha dor é mais ou menos a dor de Egaco.


Poemas Inconjuntos -2
Fernando Pessoa

Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia, não há árvores, há idéias apenas.

Há só cada um de nós como uma cave. Há só uma janela fechada, e todo mundo lá fora.

E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, que nunca é o que se vê quando se abre a janela.



Choveu, Morreu
WFS
Choveu ontem.
A grama ainda está
Molhada.
Há uma flor em meio
A essa grama molhada.
Flor branca e verde
E morta.
Morta de chuva.
A renovação mata.
Que nasçam milhares de flores
Verde e branca e viva.
Aquela flor não se levantará.
A Chuva é o cavalo da Renovação.


B E R E N I C E

por Edgar Allan Pöe
PARTE UM
A desgraça neste mundo é variada; uniforme é a miséria. Dominando o vasto horizonte como o arco-íris, como ele as suas cores são diversas, distintas e todavia intimamente fundidas.
Dominando o vasto horizonte como o arco-íris! Como pude de um exemplo de beleza tirar um tipo de feiura? De um emblema de paz e aliança tirar uma semelhante dor? É que, assim como na ética o mal é a conseqüência do bem, na realidade, é da alegria que nasce o desgosto: se a lembrança da felicidade passada produz as amarguras de agora, as amarguras que existem têm a sua origem nos prazeres que podiam ter existido.
A história que vou contar é, por essência, uma história de horror. De boa vontade a suprimiria, se não fosse mais uma crônica de sensação do que uma crônica dos fatos.
O meu nome de batismo é Egaco; do nome da minha família guardarei segredo. Não há em todo o país um castelo mais carregado de anos e de glória do que o velho e melancólico solar dos meus avós. Desde tempo imemorável, chamavam nossa família de raça de visionários. De fato, em muitos pormenores notáveis, no tipo do nosso castelo, nas pinturas do enorme salão, nas tapeçarias dos aposentos, nas cinzeladuras das colunas da sala de armas; porém, mais especialmente, na galeria dos quadros antigos, na decoração da biblioteca, e, também, na natureza muito particular do conteúdo dessa biblioteca, há de sobra por que justificar aquela denominação.
A recordação dos meus primeiros anos está intimamente ligada àquela sala e aos seus livros, dos quais não mais falaria. Foi lá que morreu minha mãe. Foi ali que eu nasci (se é que não vivia antes; se é que alma não tem existência anterior). Mas não discutamos agora este assunto. Estou convencido, não procuro convencer. Na minha memória, há uma reminiscência de formas etéreas, de olhos intelectuais e expressivos, de vozes harmoniosas e melancólicas; uma reminiscência que não quer me deixar; uma espécie de lembrança como uma sombra vaga, variável, vacilante. Sombra essencial, da qual não poderei separar-me enquanto o meu cérebro fulgir a luz da razão.
Foi naquele quarto que eu nasci. Emergindo assim das longas trevas, que pareciam ser, mas que não eram, o nada, para cair subitamente num país maravilhoso, num palácio fantástico, nos estranhos domínios dos pensamentos e da erudição monástica, não é para admirar que tenha lançado, em torno de mim, um olhar surpreso e ardente que consumiu a minha infância lendo livros e a minha juventude em devaneios. Mas o que é peculiar, (passados os anos e no auge da vida, ainda me encontrar na mansão dos meus antepassados) o que é estranho, é a inércia que me paralisou os órgãos essenciais da vida; é a inversão total que ocorreu nas características dos meus pensamentos mais simples. As realidades do mundo não me impressionavam senão com visões, enquanto as idéias loucas do país dos sonhos eram, não uma preocupação com a minha vida, mas seguramente a única razão da minha existência.
continua...

Quem falou tanta merda?: Cirlo PLus 12:44 PM
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